Criação racional nativas - Meliponicultura - LIVRO ABENA

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Criação racional nativas - Meliponicultura - LIVRO ABENA

Mensagempor Washigton » 27 Abr 2013, 18:52

Meliponicultura = Criação racional nativas

Para iniciar a criação racional de abelhas nativas sem ferrão, há de se ter primeiramente o sentido que se quer dar a atividade, quer seja para preservação, multiplicação, produção de subprodutos para consumo familiar ou comercio quer seja de enxames, caixas, produtos ou polinização.
Para isso é necessário se ter enxames e caixas. Para povoar as caixas podem ser usadas as técnicas de captura através de ninhos-iscas, translado, divisão artificial ou aquisição.

Captura das abelhas nativas
É a forma de se conseguir no meio ambiente as colônias de abelhas nativas para iniciar o meliponário, através da atração de enxames de colônias já estabelecidas em locais naturais.

Localização
A primeira coisa que eu faço é localizar os enxames no mato. Normalmente para fazer a captura eu preciso de uma caixa, de uma armadilha para pegar as abelhas, das ferramentas para abrir e de alguma coisa que vede a caixa no final.

Atração do Enxame
Dentro das caixas-iscas ou ninhos-iscas deve ser colocado um pouco de cerume, resina ou solução de própolis. Caixas ou abrigos onde já havias abelhas nativas, são eficientes iscas para captura de novos enxames.

Restos de colônias devem ser utilizados para atrais novos enxames, não se desperdiçando esse valioso material. As iscas devem ser bem fechadas e possuir apenas uma ou duas aberturas pequenas por onde as abelhas possam entrar e ser colocadas em locais protegidos, onde existam colônias naturais, que possam enxamear.

Iscas
As abelhas como os demais animais se reproduzem naturalmente em ocorrendo as condições favoráveis, de clima, florada e saúdo do próprio cortiço. E devido a baixa oferta de locais para nidificação, é natural que se o meliponicultor ofertar locais aprazíveis a elas, um novo enxame poderá ocupar esse abrigo artificial, favorecendo a implantação do meliponário de forma legal e natural.

No entanto a ocupação de ninhos iscas depende de alguns fatores naturais como a ocorrência de enxames na região, do local que a isca é instalada e da feitura da isca propriamente dita.

O recomendável é que a isca seja construída com material resistente a intempérie e tenha proteção térmica, além de receber material atrativo em seu interior, quer seja cera ou solução de própolis. Não deve receber mel ou qualquer substancia que atraia outros predadores como formigas que podem ocupar a isca e inviabilizar a captura espontânea e que precisam ser removidas caso isso ocorra.

Outro detalhe a ser observado é o tempo de permanência no local da captura, pois algumas espécies demoram até dois meses para ocuparem definitivamente a isca e sua retirada do local pode abortar o processo de enxameamento. Uma dica para se saber se a colméia já está instalada é observar se as operarias removem detritos do interior, o que indica que já há atividade produtiva interna, com boa quantidade de favos e alimento estocado para então ser transportado para o meliponário.

Os enxames novos mantém uma ligação bem forte com a colméia mãe, que fornece o alimento e cerume para a nova colônia, sendo transportados pelas operárias do novo núcleo. Por esta razão, um enxame recém-estabelecido não deve ser removido para não interromper essa ligação prematuramente.
Para atrair os enxames de meliponíneos, podemos usar Garrafas PET, potes de barro, artefatos de cimento e as conhecidas caixas de madeira,
Quando uma colônia de abelha nativa enxameia, ela leva cerume nas patas traseiras (corbículas) para a construção do novo ninho, e isso deve ser observado pelo criador.

Transferência/Translado
É o método da transferência dos enxames do seu local natural para um abrigo artificial, quer seja para uma caixa racional ou outro aparato que tenha a função de dar abrigo e segurança ao enxame. O traslado apesar de, normalmente, ser simples, depende muito do local onde o cortiço está instalado, podendo demandar de pouco tempo e ferramentas, ou numa atividade complexa e demorada, exigindo ferramentas adicionais e riscos ao enxame, especialmente no tocante a preservação da integridade da rainha, discos de cria, pólen e mel. Nesse processo, é fundamental estar munido de toda a fermentaria e material de manejo disponível, além de caixas de tamanho e forma variado, além de vasilhames para mel e pólen, pois em dependendo da complexidade da transferência, há de se separar os materiais até que o enxame se organize.
Quando não for possível passar o cortiço inteiro, sem macular a sua estrutura, o que preserva o seu interior, há de se ter cuidado com a localização da rainha e sua remoção para um local seguro até a finalização do processo, sob o risco de se causar algum mal a mesma e comprometer a saúde do enxame. Normalmente é necessária a captura das abelhas jovens com uso de aspirador de insetos, os quais são sugados para o interior de um frasco para após serem transferidas para a caixa racional, preservando a população necessária para os trabalhos de reorganização do ninho. Também em algumas situações de clima e temperatura, há de se deixar a caixa nova no local antigo para capturar as abelhas campeiras e que estiverem esvoaçando em decorrência do manejo.
Outro cuidado é para não virar os discos de cria, que na maioria das espécies de abelhas nativas fica na posição horizontal, ou seja, empilhados uns sobre os outros com um pequeno espaço entre eles, denominado espaço-abelha. Os discos não devem ser virados de cabeça para baixo, pois isso pode comprometer a vida das larvas que inda se alimentam causando grades prejuízos a população. É comum a parte de cima ser da cor marrom ou cor de palha e a parte de baixo ser negra, devido aos excrementos das larvas que defecam no fundo das células de cria, logo a parte de baixo do disco é mais escura que a de cima.
As lamelas de cera que são uma capa de cerume chamada de invólucro, serve para proteger o ninho e os discos de cria, servem para ajudar manter a temperatura ideal protegendo os discos de cria das mudanças de temperatura.
Em transferências, se for possível, não mexer na disposição dos discos de cria. Mas se for necessário a manipulação, observar que as pilastras entre os discos são separadores que as abelhas fazem para circularem entre os mesmos, promovendo a higiene, ventilação e aquecimento das crias, um disco não pode tocar o outro, isso gera micro organismos nocivos ao enxame e pode atrair forídeos. O espaço por onde as abelhas passam para inspecionar deve ser preservado mesmo que se tenha de usar algum objeto, bolinhas de cera, ou de papel.
A distância entre eles não precisa ser respeitada, nem a ordem, mas preferencialmente os maduros (nascentes) em baixo e os novos (verdes) em cima, para evitar esmagamentos.

Multiplicação/divisão de enxames
É maneira de aumentar o numero de enxames e tornar o plantel mais producente.
Temos dois grupos de abelhas sem ferrão as meliponas, que são as que não produzem célula real (ovo de rainha maior que as operárias), nesse grupo 25% das abelhas podem ser rainha, dependendo do clima e da época do ano; são mais fáceis de se dividir pois há maior oferta de rainha. E, as trigonas, que tem a característica de trabalhar com cera e produzem células reais nas bordas dos discos de cria ou dentro dos mesmos. Esse grupo exige que haja célula real que é a realeira (célula maior), para se fazer a multiplicação. O ideal é iniciar o processo com todo o material necessário, mas nem sempre se encontra a realeira, nesse caso se adiciona disco no primeiro momento possível que se conseguir de outra matriz, mas sempre em no menor espaço de tempo possível, para evitar que as operárias elejam uma abelha comum que não seja da casta de rainha, o que dificulta o aceite de uma nova rainha quando inserido a célula real ou princesa joven, isso devido as abelhas operárias entenderem que já uma líder, tornando o enxame inviável pela falta de renovação de abelhas. Para ser um enxame viável é necessário ter rainha fértil em atividade;
Outro risco é as campeiras envelhecerem e perderem a capacidade de trabalho interno e externo, o que debilita muito o enxame, podendo ficar passível de ataque de inimigos, nesse caso, há de se inserir abelhas jovens de outras doadoras, para manter o numero de abelhas para os trabalhos, controle térmico e defesa do ninho.
Em trigonas quando a célula real (ovo de rainha) estiver muito imatura (verde), o ideal é aguardar uma a duas semanas para evitar que esse ovo gore e pereça por estresse da divisão, podendo ser iniciada a divisão e posteriormente transferido o disco com a célula de cria já em estado de nascimento (madura), dessa forma se adianta a organização do cortiço, sem correr o risco de perder a futura rainha.

Divisão Artificial
É o método de fazer novos enxames usando como base enxames pré-existentes, quer em caixas racionais, quer doando material genético de cavidades naturais.
a) Colônias existentes no meliponário. Nesse processo se usam materiais disponíveis no meliponário do criador, ou de criadores consorciados, de forma a promover ou não a variabilidade genética, tão importante para a saúde futura dos novos ninhos. Pode ser usado material de uma única colméia ou de colméias distintas, se empregando discos, abelhas, pólen, resinas e alimento de forma a não solapar tudo de uma só matriz.

b) Colônias existentes na natureza. Nesse processo normalmente se usa discos de cria de uma caixa racional doadora, e operárias de enxames naturais ocupantes de cavidades em muros, barrancos, rochas ou árvores. É uma forma de se poupar os enxames matrizes e utilizar recursos da natureza, na busca de uma variabilidade genética e promoção do plantel, pala facilidade de se promover novos enxames das matrizes, que se recuperam em pouco tempo, por não doarem as campeiras.

Existem várias métodos de divisão artificial, bem como variações entre os mesmos. Assim o meliponicultor com conhecimentos, pode utilizar o melhor processo de divisão em conformidade com as condições do ninho e disponibilidade de enxames, demonstrado a seguir:
- Caixa A doa todo material necessário;
- Caixa A doa discos; Caixa B doa o restante;
- Caixa A doa discos; Caixa B doa campeiras, Caixa C doa mel, pólen e resina;
- Caixa A doa discos; Caixa B doa campeiras, Caixa C doa mel, pólen e resina; Caixa D doa operárias jovens; etc...
- enxames podem ser iniciados com a rainha mãe, deixando a colméia filha órfã o que também é uma opção de divisão, em locais de difícil aceite de rainhas e baixa oferta de cortiços na natureza.

Quando faltar lamelas de cera, que é a estrutura para controlar a temperatura do ninho, laminar cera de outra abelha (pode usar cera alveolada de Apis), e fazer a proteção, que em determinadas épocas de clima ameno elas tem dificuldade de construir, mas é muito importante para a estabilização do ninho.
O recomendável para iniciantes na atividade é manejar os enxames para divisão, somente quando o tempo for propício e haver florada favorável, o que está cada ano mais raro de acontecer, especialmente pela diminuição constante das floradas. Outra dica é contar com auxílio de meliopnicultor experiente, pois se ocorrer alguma variante não conhecida nos livros ou em cursos, haverá providencia imediata evitando o prejuízo ao enxame.

Abertura do Cortiço
Ao abrir o local do ninho natural ou cortiço rústico, se deve evitar virar, bater ou causar choques mecânicos fortes para que os ovos de cria não sejam mergulhados na massa que é o alimento larval, pois isso pode causar a morte da futura larva e a perda dos discos novos e imaturos. Se o ninho estiver na árvore, o correto é fazer uma janela e remover apenas o necessário para formar o novo ninho, deixando o restante para que o cortiço continue existindo. No entanto o local violado deve ser muito bem fechado e isolado, para que formigas, Apis, iratins, aves, iraras e tatus, não ataquem o enxame. Para isso se usa o mesmo material removido ou se completa com tábuas pregadas e isolando as frestas com argila.
Pancadas na cais ou batidas com martelo devem ser evitadas para não afogar as larvas no alimento, isso devido a que no processo de postura as abelhas primeiro enchem de alimento a célula de cria e, depois a rainha vem e põe por cima dessa massa que será o sustento das larvas, sendo que a larva fica na borda da célula se alimentando, mas se levar uma pancada ou tranco forte pode cair e submergir na massa larval.

Multiplicação de trigonini (Jataí, Iraí, Mandaguari, Tubi, Tubuna, Mirim, Mirim preguiça, Moça-branca, etc.)
São espécies em que a rainha advêm de realeiras, que são células de cria maiores localizadas, geralmente, na periferia do disco de favo de cria, onde pode ter uma, duas ou mais realeiras, geralmente dispostas em discos diferentes. Se tiver muitas realeiras, mais de 6 ou 7, pode ser um mau sinal, ou seja, de que a família está instável ou a rainha mãe está muito velha. Estas realeiras, que aparecem temporariamente (primavera e verão), são as únicas células que darão origem às rainhas. Se já existir uma rainha, poderão ser descartadas ou a colônia entrar em divisão espontânea. A divisão artificial é um método forçado.
Depois devemos transferir o disco com realeira juntamente com mais 2 a 3 discos, preferencialmente próximos ao ovo, para evitar dados ao mesmo. Após o enxame estabilizado se pode adicionar discos de outras colônias para incrementar a população de abelhas.
Nesse método a colméia matriz deve ser afastada para que as campeiras populem a caixa filha, a distancia varia muito da época do ano, sendo de poucos metros na primavera, par mais de 1 km nos meses de baixa florada.
No método de orfanagem da caixa mãe o rigor da distancia é desprezado. Algumas espécies é comum haver uma princesa fecundada (não fisogástrica: abdomem não desenvolvido) enclausurada, normalmente está aguardando enxameação ou para substituir a rainha velha.

Multiplicação de meliponini (mandaçaia, manduri, guaraipo, uruçu, jandaíra, tiúba etc.)
São as espécies que não produzem realeira. São mais simples de se dividir pelo fato de produzirem rainhas em maior numero. Geralmente com um ou dois discos de cria maduros (cor de palha), já é o suficiente para iniciar um enxame e, caso a população caia com o tempo, pode ser acrescentado mais discos nascentes de outros enxames, ou abelhas jovens (clarinhas). Evitar colocar abelha adulta pois podem se rejeitar e haver briga com a morte de ambas.
Com esse tempo, a rainha já foi fecundada eu posso pegar a caixa de noite e levar para qualquer lugar, inclusive para onde ela estava.

Armadilhas para capturar campeiras
Na transferência ou divisão usando campeiras de enxame de cavidade natural, o aconselhável é capturar o maior número possível de abelhas forrageiras e operárias, para isso se instala a nova caixa no local da antiga, preferencialmente usando a entrada original ou outra retirada de uma doadora da mesma espécie, deixando a caixa no local até adentrarem um numero que garanta o novo enxame.
Para pegar abelhas de troncos de árvores se usa um aspirador de insetos ou um funil tipo um cóvi, assim as abelhas entram e não conseguem sair. Esse processo é eficiente nas espécies mais defensivas como a mandaçaia, mandurim, bugia, tubuna, urucu, jandaíra, boca de renda e outras; cuidado especial com a ventilação e refrigeração, pois com muitas abelhas pode faltar ar e o ambiente aquecer a ponto de haver mortandade de abelha.
Quanto mais operárias e filhotes (abelhas jovens) se colocar na caixa melhor.
Oco ou cortiços usados são ótimas iscas para apanhar novos enxames, ou podem ser utilizados como enxames reservas, ou seja, se transfere a parte principal para a caixa racional e se aproveita o ninho antigo para estimular uma divisão, pois muitos são os recursos que permanecem nesses locais e ajudam na formação de um novo enxame, desde que se deixem os recursos mínimos para sua formação e se isole completamente as frestas e partes danificadas, para não ficarem frestas por onde entram os forídeos. Usar fitas adesivas ou argila para selar as frestas.

Mudança/ Movimentação de enxame de local
Para trocar um enxame no meliponário, é necessário ir afastando gradativamente o cortiço em direção ao novo ponto, ou transferir ele para um novo locar a cerca de 3.000m e depois de 30 dias retornar par ao novo ponto. Se isso não for observado podem as campeiras se desorientarem e entrarem nas caixas vizinhas, o que pode gerar uma guerra civil com muitas baixas.
Enxames territorialistas como a jataí, não devem ficar em distancia inferior a 02 metros, exceto se estiverem com o alvado em direções opostas, para que não se cruzem na linha de vôo e quando formarem a nuvem de enxameação não invadirem o território vizinho.
Para inserir um novo enxame (cortiço estranho) no meliponário, é necessário fechar as caixas vizinhas por uns dois (02) dias, para que o novo enxame possa se orientar e não entrar nas caixas erradas.

A rainha
A rainha é quem determina as ordens no enxame. Se a rainha vai bem, via de regra, o enxame também vai. Então você observa se a rainha está presente, se locomovendo bem, e com as asas integras, ou se existem discos novos/recentes de cria, entrada de operárias com pólen e resinas nas corbículas, então o enxame está normal.

Fecundação rainha
Quanto maior a oferta de zangões não parentes da rainha, menor a possibilidade de ocorrer parentesco, o que é indesejável pois a rainha pode por uma quantidade de ovos de machos muito grande, inviabilizando o enxame, ou em caso de ser fecundada por zangões falhados ou muito velhos, pode gerar uma rainha infértil. Uma boa alternativa é levar o enxame novo para local que há outros enxames não parentes, lá permanecendo por cerca de 30 dias, assim aumenta a variabilidade dos descendentes e a saúde do enxame. Outra alternativa é fazer enxames novos e trocar com outros criadores, a isso denominam de resfriamento no sangue. Introduzir material genético novo no meliponário é sempre aconselhável, apesar de não ser obrigatório se houverem outros criadores por perto.

As células de cria (discos ou placas)
Tem o formato esféricos e ovalados e com tamanho próprio para cada espécie, podendo variar de 3 a 4 cm nas mais miúdas, pra mais de 20 cm nas espécies graúdas. Se tem poucos discos, a não ser que seja nova, é necessário reforçar o enxame com mais uma, duas ou três placas de forma que as abelhas existentes possam cuidar desses novos discos, recobrindo com lamelas de cera e provendo a temperatura, pois muitos discos e poucas abelhas, gera um problema pro enxame gerenciar.

Manejo e Revisão
Após a divisão é o período mais crítico e exige observação mais criteriosa, senão obrigatória nos primeiros dias, e em ocorrendo algum problema acompanhamento constante até a resolução. Já na captura espontânea o cuidado é menos intenso pelo fato delas se organizarem praticamente sozinhas. A revisão de postura só deve ocorrer após 30 dias para não atrapalhar o processo de aceitação da nova rainha que é fraca feromonalmente nas primeiras semanas, e choques ou mudanças, podem afetar o seu mando.
Após esse período é importante verificar como está se desenvolvendo o enxame e se a rainha está em ovoposição (postura). Esse manejo deve ser repetido aos 60-80 dias para se observar se o primeiro ciclo de postura foi eficiente e se a rainha está iniciando o segundo, isso indica que tudo está correndo bem. Caso a rainha não iniciar o 2º ciclo de postura, provavelmente é estéril ou zanganeira. Olhar os estoques de alimento (mel e pólen), o pólen se pode verificas na entrada se as operárias o trazem nas corbículas.
Conforme o enxame se desenvolve a inspeção pode ser espaçada para meses e até temporadas. Pela entrada das operaria e saídas retirando sujeiras, se pode avaliar a saúde do enxame, e se estivar anormal, a caixa deve ser aberta para checar os estoques, numero de discos e operárias.

O que observar
Discos novos de cria e a quantidade. A idade da rinha, pois rainha com asas curtas, cor escurecida e abdômen fino e longo, é sinal de estar velha, daí é bom não dividir o enxame até que seja substituída, ou usar ela pra formar um novo ninho orfanando a caixa matriz.
A quantidade de alimento pelos números de potes de mel é pólen que é a principal alimentação das larvas.
Ocorrência de mofo, umidade em excesso, presença de formigas, forídeos ou baratas, ou partes apodrecidas da caixa

Caixas para nativas
Existem diversos modelos de caixas com formas e tamanhos diferentes. Algumas caixas servem para vários tipos de abelhas.
Para as regiões frias quanto mais espessa/grossa for a madeira melhor. Se pode utilizar materiais como o madeirite, compensado, fibra, PVC, Concreto, Celucon, vermiculita, e outros materiais. Importante é que a caixa ofereça proteção as abelhas e atenda as necessidades do meliponicultor.
Existem vários modelos de caixas utilizados segundos critérios do criador direcionando para a atividade que executa, quer seja de preservação, produção de enxames, mel, pólen, própolis/geopropolis, polinização, turismo meliponico, educação ambiental ou simples diletantismo. Porem qualquer do modelo escolhido, deve ter a espessuara da madeira adaptada ao clima da região,s endo que em SC o ideal é que o mínimo seja em torno de 4cm. Madeiras de lei de alta densidade, requerem proteção adicional por transmitirem com maior facilidade a temperatura externa para o interior da colméia.
Praticamente todos os modelos já receberam adaptações sendo variações das originais, caracterizadas pela inserção de dispositivos ou de facilidades para as abelhas ou par ao criador. São separações, entradas, tampas, grades de fundo, dispositivos tais que visam completar os modelos originais ou atender a demanda do meliponicultor.
A caixa deve ser direcionada para o tipo do manejo a fim de facilitar a revisão, divisão ou alimentação, sem danificar partes importantes das estruturas.
Nos modelos com alça, melgueira ou partes móveis, para evitar que os potes de mel das melgueiras de preguem na estrutura superior ou inferior, se recomenda uso de palitos ou ripas de bambu podem ser fixados para separar as estruturas, permitindo o espaço para abelha caminhar em todo lugar, chamado de espaço abelha e, o que facilita a higienização dos potes, caixas e separam os favos da parte superior ou inferior da melgueira.
O tamanho da caixa ou a quantidade de melgueiras depende da espécie criada, da força ou tamanho do enxame, da produtividade da região, floradas, época do ano, manejo realizado e variabilidade genética dos enxames.

Instalação do meliponário

O meliponário deve, preferencialmente, estar próximos de casa, assim facilita o manejo e evita o furto das caixas. e, próximos às floradas, quanto mais perto menor será o desgaste energético e de tempo para as campeiras recolherem as provisões de mel, pólen e resinas.
Devem ter boa sobra no verão e meia sombra no inverno.
Fácil acesso a água potável, quanto mais próximo melhor.
Devem estar distantes de apiários, o ideal é que a distância seja de, pelo menos, três (03) quilômetros. Não deve haver competição com as apis melíferas (africanizadas), haja vista que as apis são generalistas e laboriosas, exaurindo os recursos de néctar das ASF que são mais especialistas e trabalham em horários mais restritos (o que por certo tem um papel importante na natureza quanto a fecundação das plantas pelos polinizadores específicos).
Proteção contra os predadores naturais que podem destruir os enxames matando as abelhas, roubado o alimento (mel, pólen, cria).

No transporte, é conveniente tampar o alvado. Agente normalmente pega uma lata desses de óleo, fura com um prego, faz uma placa furada para ventilar e prega na caixa com uma taxinha. Quando chega no meliponário, eu tiro e faço um pouco de cera, e tampo com cera, bem pouquinho, para ela mesma ir destampando a cera, para ela não saírem de vez e não se assustar. Elas vão roendo aquela cera, que pode ser delas mesmo, isso na hora que eu chego, de noite mesmo. Se eu estou transportando de noite na hora que eu chegar eu já solto, só que eu deixo aqui vedado com um pouquinho de cera. Quando amanhecer o dia, a cera já está bem comida e ela já sai para trabalhar, soltando aos poucos. Se não ela se assusta, sai de vez, e ai pode não acha mais a casa.
Na hora de colocar a caixa no meliponário ela pode ficar em qualquer posição porque existe uma diferença marcante entre as abelhas do gênero apis para as abelhas dos dois gêneros trigona e melípona que é a orientação delas, como elas viajam para o novo local, vão se acostumar com essa orientação.
A africanizada tem um “computador” ligado na antena. Então ela olha para o sol e o “computador” dela dá o angulo e ela “diz’, minha casa é para cá e da tantos quilômetros. Se você arrancar os olhos delas elas vão bater encima porque na antena tem um radar, que enxerga tudo em um determinado raio de distancia, no caso das abelhas é de três quilômetros.
As abelhas sem ferrão dos dois gêneros elas se orientam diferente, elas não conseguem gravar a casa onde elas moram. Todo dia elas tem que marcar o caminho delas, toda vez que ela sai para o mato ela tem que marcar o caminho Ela se orienta não é através de olhar para o sol como fazem as africanizada. É através de baforadas de feromônio que ela solta. Quando está voando para o mato, a cada 10 metros ela solta uma baforada de feromônio, como se fosse um “pum”, ela solta um cheiro no ar e ai pega nas folhas, e quando ela volta, ela volta farejando aquelas folhas que estão com aquele cheiro.
distância de pelo menos 2 km, para evitar que no outro dia as operárias retornem para o lugar antigo. As abelhas vão ter que vedar ou lacrar a caixa, e tem que ficar no local por 3 dias, e se for pegar de carroça, não pode porque vai balançar o ninho. Deve então levar na mão ou fazer uma cama macia para colocar a caixa. O transporte de abelha tem que ser feito durante a noite porque as abelhas estão todas na caixa. Se transportar durante o dia, algumas abelhas, as mais trabalhadeiras acabam se perdendo.
Mas se você for levar para perto de onde você a pegou existe a possibilidade dela voltar, mas se for levar para longe não há possibilidade delas voltarem, porque elas saem do pasto dela e não conhecem nada, então a tendência dela é ficar.

O alimento/Alimentação artificial

As abelhas se alimentam do mel para gerar energia para o trabalho, e as larvas são alimentadas com o pólen, portanto se faltar mel e sobrar pólen as operárias podem padecer de inanição, e se faltar pólen não haverá postura, e a população entra em declínio.
Se não for observado a entrada de pólen é sinal que não há rainha em postura ou que não tem pólen na região. O pólen que não for desidratado deve ser mantido refrigerado na geladeira.
As flores tradicionais que são umbuzeiro, aroeira, o marmeleiro, quando as nativas saírem no campo as africanizadas já freqüentaram nessas flores.
O alimento artificial quando colocado pode estragar se ficar muito tempo sem ser consumido pelas abelhas, disso é aconselhável colocar em recipientes dimensionados ao consumo do enxame que se está tratando.
A inserção de um limão por quilograma de açúcar contribui para inverter a sacarose em frutose, o que facilita a digestibilidade das abelhas. Uma pitada de sal na ordem de meia colherinha de café, suplementa os sais necessários ao enxame. aumentando a vida do xarope no alimentador.
Em baixas floras é sugerido fornecer pólen ou outro suplemento protéico, pra estimular os enxames a produzirem cria, que será empregada na divisão dos enxames ou produção de mel em floradas curtas.
Algumas espécies de abelhas nativas estocam mais pólen do que mel, nesse caso podem suprir a demanda das espécies que produzem menos pólen.
Se tem mel e não tem pólen as ASF sobrevivem mais não se reproduzem (cessam discos de cria), porque para gerar novas crias é necessário do pólen. Se não tiver mel morrem de fome, então tem de entrar com alimentação artificial para subsistência antes disso, pois se faltar mel em período frio, em poucos dias o enxame perece.
A utilização de mel de outros enxames chamado de “mel de oco” é útil na alimentação de manutenção e pode ser misturado ao pólen o que agrega os dois alimentos que precisam: energia que vem do mel e, proteínas, que vem do pólen.
A alimentação deve ser individual, pois na coletiva todas as abelhas podem freqüentar, inclusive as Apis que podem dominar os alimentadores, ou haver guerra entre espécies diferentes aou até da mesma espécie mas de enxames diferentes.
Os alimentadores internos devem ter ripinhas ou pedacinhos de cera por cima para as abelhas não se afogarem no alimento.
Não se deve alimentar todos os dias para evitar que estoquem alimento sem processamento, a superalimentação pode ser prejudicial a saúde do enxame, sendo q quantidade relativa a necessidade do ninho e a espécie. Em floradas importantes, podem não aceitar alimento na caixa.
Há muitos modelos de alimentadores, devendo o criador buscar o modelo que melhor se adapta, sendo o mais utilizado o pote com gravetos ou tela interna. Alimentadores externos com acesso interno, são eficientes, mas são fechados pela abelhas se não removidos quando secam.
Pode ser usado mel de apis, desde que ao esteja cristalizado, ou xarope feito a base de uma parte de açúcar cristal e uma parte de água (50%). Deixar a água ferver e adicionar o açúcar até ferver novamente. Se pode acrescentar um limão e uma pitada de sal. Na falta do limão pode ser usada uma folha de cana cidreira, erva doce, marcela. Servir em alimentadores internos com gravetos ou palitos dentro para evitar afogamentos. Em trigonas pequenas é aconselhável colocar uma tela por dentro do alimentador ou lixar para tornar a parede áspera, para que as abelhas possam escalar evitando o afogamento.
Xarope açúcar e água enriquecido com o pó da vagem do pau-ferro.
Pilar 100 gramas para cada litro de xarope.
Semente da leucena.
Mel da algaroba; 1 quilo de vagem triturada para 3 litros de água, ai ferve até engrossar – não precisa de açúcar.
Massa do jatobá e pó de folha verde que (multimistura),
Mel de cana ou mel de engenho (sem produtos químicos), Para o xarope não fermentar precisa ser grosso passando do ponto,
O alimento artificial é para suprir as necessidades de energia das abelhas que quando fortes procuram naturalmente as floradas no campo. O alimento é necessário após divisões, na entre safra de flores, nas adaptações quando deslocadas, pois naturalmente se estressam e tendem a comer os estoques, podendo comprometer perigosamente a saúde do enxame.
Em regiões de baixa flora natural deve serem plantadas plantas que favoreças as abelhas nativas, como angico, mameleiro, jurema, quebra-facão, pião, malva, pasto fino, jureminha, alecrim, unha-de-gato, aroeira, jurema, entre outras tantas plantas.

A limpeza
Durante revisão de enxames novos deve ser realizada a limpeza retirando detritos e excrementos, pois enxames desorganizados tendem a não remover as sujeiras, podendo atrair forideos e outros inimigos que podem desorganizar o processo de estabelecimento das elites castas necessárias a formação do novo ninho. Caixas com fundo móvel facilitam essa tarefa, no entanto vulnerabilizam a segurança da mesma.
Excesso de umidade deve ser enxugado, ou inclinada a caixa a um dos lados livres, para posterior drenagem. Algumas espécies trabalham com certa umidade, devido desidratação do mel ou calor do ninho em relação a temperatura externa, o que favorece ao desenvolvimento dessas espécies, outras não requerem umidade, e enxutos são mais sadios e produtivos.
O meliponário também deve ser limpo de vegetação arbustiva que impeça o vôo livre das campeiras, limpando teias de aranha e entulhos que possam acumular água ou atrapalhar o deslocamento do criador.

Os inimigos das abelhas
Na natureza as abelhas nativas possuem muitos inimigos, os quais estão constantemente espreitando para devorar o mel, pólen, cria e até as abelhas. No entanto no seu ambiente isso não cabe ao homem regular, mas no meliponário sim, pois se os enxames não forem protegidas podem ser levados ao extermínio.
Além do alimento que atrai formigas, e outros animais, há uma praga terrível os forídeos (mosquinhas ligeiras), especialmente no momento da transferência, divisão e enxames fracos que estão desestabilizados pela falta de rainha, sua troca ou rainha infértil, que age em poucos dias podendo dizimar um enxame.
A prevenção se faz evitando derramamento de pólen e mel, limando o que for derramado, e evitando colocar na caixa pólen (samburá) rompido, que é o que mais atrai os forídeos. A recomendação e estocar na geladeira para se repor após o enxame estabilizar.
Os potes de pólen que tiverem inteiros, podem ser colocados na caixa pois o forídeo não terá onde depositar seus ovos. O mesmo para o mel.
Os principais inimigos das ASF são as Iratin (lestrimelita limon), caga-fogo (oxitrigona tataíra), irapuá (trigona spinipes), formigas e aranhas; Aves como o siriri e pica pau, lagartixas e, mamíferos como a irara, irarão, tatu, entre outros.

Forídeo
Se o enxame for saudável não haverá a presença de pragas. Mas se ocorrer forideos (são moscas pequenas e ligeiras), que caminham entre as abelhas e põem ovos no pólen, mel ou discos de cria, gerando larvas que podem destruir o ninho quando houver grande infestação. O trabalho das larvas doss forideos deixam um cheiro de azedo na caixa o que prejudica a organização das abelhas e podem acabar se desestruturando.
Em alguns enxames tem épocas que surgem nas lixeiras sem muito prejuízo ao ninho. Para se livrar delas tem que fazer limpeza, enxugando líquidos e removendo as sujeiras.
Instalar iscas de vinagre, que são potes imitando armadilhas (coves), onde a mosca entra atraída pelo cheiro e não pode mais sair. O vinagre deve ocupar em torno de um terço (1/3) do recipiente, de forma que possa acumular um certo numero de moscas. Substituir a cada 3 dias, pois com o acumulo de mosca ou tempo perde a atração. Em ataques severos remover a caixa para dentro de um cômodo fechado, preferencialmente a noite, assoprar fortemente para espantar as moscas, fechar a caixa e guardar em local seguro, detetizando o ambiente para matar as moscas, que se livres retornarão ao meliponário para quando a colméia for devolvida ao seu local. Repetir essa operação até o enxame estar livre das moscas, somente após liberar para o trabalho a campo. Em caso de fuga de abelha aspirar e devolver a caixa lançando o próprio sugador, ou individualmente usando uma mangueira de borracha e recolocando as abelhas pela entrada.
Ao realizar divisões e transferências, instalar armadilha preventiva de vinagre para capturar os forídeos que adentrarem enquanto o enxame está desorganizado e após três a quatro dias fazer uma revisão.

Moscona hermétia
São moscas grandes de mais de 1cm de comprimento de cor preta azulada, semelhantes a vespa papa-carne, no entanto quando voam fazem um barulho característico de besouro mas quando pousam recolhem as asas para trás a semelhança das tubunas. Depositam seus ovos em frestas de caixas novas ou desestabilizadas, sendo que após as larvas migram para o interior e se desenvolvem se tornando em larvas de até 4 cm de comprimento. Se alcançam o ninho podem destruir o enxame, no entanto se houver uma grade no fundo da caixa dificilmente sobem e podem ser removidas facilmente com um espeto ou pinça.

Formiga
Para evitar formiga fazer a limpeza externa da caixa e do meliponário. Proteção adicional nos suportes para não deixar as formigas subirem sempre é uma boa cautela. Enxames fracos devem ser removidos de meliponarios próximo a mata, pois são presas fáceis de formigas por não terem defesa.

Iratim ou abelha limão
Onde ocorre é um dos principais predadores, especialmente das Iraís, mirins e jataís, mas há ocorrência de ataque fatais a mandaçaia e outras ASF. Uma forma de controle é localizar os ninhos e destruir. Se não for possível, se pode substituir as caixas durante o ataque, e colocar isca de mel co inseticida, de forma que as pilhadoras levem para a sua colméia e destrua uma boa parte das saqueadoras.

Aves
Alguns passarinhos que capturam abelhas nativas no ar como o Siriri e outros gostam apanhá-las na entrada como rabo de palha e alguns insetívoros, como o Pica-pau, João-de-barro, Sabiá entre outros.

Outros animais
O papa-mel (irarão), a raposa, o tamanduá, alguns sobem e puxam e até derrubam as caixas. A aranha também é outro problema se fizer a teia na frente da entrada dos enxames. Em algumas regiões a lagartixa é apreciadora das nativas, exigindo que se instale um funil na entrada das abelhas para evitar que sejam apanhadas.

Supervisão Situação do enxame
Temos que observar periodicamente a quantidade de abelhas, como está a postura da rainha, se está nascendo abelha, se as abelhas estão trabalhando bem – entrando e saindo, se trazem pólen e se limpam os lixos. A freqüência depende do estado do enxame, divisões recentes e transferências, carecem de revisões constantes, e conforme o enxame vai se desenvolvendo o intervalo das inspeções vai aumentando.

Pilhagem (roubo)

Enxames instáveis ou novos, podem ser visitados pela abelhas do melipona´rio que descobrem alimento em seu interior, pode ser da mesma caixa dividida, e nesse caso se deve afastar os enxame de forma que cesse a visitação, sob risco de não haver o progresso do enxame e o seu definhamento por falta de alimento; também pode ocorrer do enxame pilhador levar as abelhas do enxame pilhado, restando as vezes somente abelhas jovens que não voam e os discos de cria.
Outra forma de resolver o problema é fechar a caixa atacada ou a pilhadora por alguns dias se alternando até cessar o problema. Recolher par dentro de casa é uma alternativa, deixando no local uma caixa vazia para desestimular o saque.

Concorrência
Pode haver quando falta florada ou quando um cortiço forte quer ocupar um outro enxame da mesma espécie ou espécie diferente, nesse caso quando há resistência morrem muitas abelhas brigando na entrada da caixa atacada, a providencia deve ser semelhante a no caso da pilhagem. Há criadores que nada fazem para receber um enxame forte, em substituição ao que ocupava a caixa. No entanto se colocar uma caixa vazia no local com cera dentro, existe a possibilidade do enxame invasor ocupar e se transferir, dando origem a um novo ninho.

Produtos das abelhas
Própolis e Geoprópolis

O própolis é composto de resinas vegetais e substancias glandulares das abelahs, e o geopróplis vem de Geo = terra + propolis. É um produto que tem seu valor reconhecido na veterinária, no tratamento externo e na alimentação de aves, bovinos, suínos, caprinos e eqüinos.
Pela falta de pesquisas ainda há certa restrição, mas está surgindo um mercado promissor. Própolis e geoprópolis possuem em sua constituição resinas vegetais e substancias glandulares das abelhas, conforme cada espécie e região.
Já há reconhecimento das propriedades medicinais da própolis e da geoprópolis. O sabor é peculiar a cada espécie, sofrendo influencia de resinas das plantas tendendo a ser amargo.
É mais utilizado na forma de tintura, ou seja, o extrato de própolis ou geoprópolis, sendo que na veterinária é usado também moído e adicionado a ração.
pomadas, spray.

Pólen
Pólen é o samburá ou samora, dependendo da região. A abelha colhe esse pólen da parte masculina das flores. É muito rico em proteínas, vitaminas (B1, B2, B3, C, E, K, H, A), minerais (cálcio, ferro). O pólen é um fortificante imbatível. Tem um alto teor de ferro. O pólen é também um desintoxicante e tem flavonoide, que tem o poder de dar elasticidade nas veias. Quem consome o pólen, dificilmente tem um derrame. O pólen tem valor comercial, mas o da abelha sem ferrão precisa ser estudado e processado viabilizando o seu uso popular.
A abelha jataí, tubuna e algumas outras, tem seu pólen sólido e poder ser desidratado ao ar livre ou em câmaras de desumidificação. O pólen de algumas melíponas, por ser pastoso, tem alto valor nutritivo, porem o seu sabor envinagrado não agrada a todos os paladares.
Pólen é um alimento precioso para o desenvolvimento das crias das abelhas.

Mel
É a fonte de energia das abelhas, em mel elas perecem rapidamente. Tradicionalmente a cultura é o consumo de mel de apis, o povo desconhece a existência do mel de abelha nativa, no entanto ele era o produto consumido pelos índios e pólos imigrantes europeus, até a implantação da apicultura no século XVIII, quando pela maior produtividade, substituíram as nativas.
No Brasil há tradição de consumir só para remédio o que é prejudicial já que o mel das nativas também é um alimento energético e que ajuda ao organismo a se equilibrar, fortificando o sistema de defesa. Por conter um antibiótico natural que é a inibina, o mel não deve ser aquecido a temperatura superior a 65ºC.
Consumir mel de ASF diariamente ajuda a não ficar doente ou minimizar os seus efeitos, especialmente em estados gripais de baixa imunidade, o mel de também é levemente bactericida e bacteriológico, mas não deve ser armazenado em potes de metal enferrujado por não ter ação contra o bacilo do botulismo que se desenvolve nessas embalagens facilmente.
A caixa para produção de mel, deve permitir o manejo facilitado, evitando contaminações, a regra é usar gavetas melgueiras que possam ser separadas do ninho; nas colméias horizontais inteiras, se recomenda o uso de sugadores ou aspirador de mel, nas espécies em que seja possível esse manejo.
Algumas espécies instaladas em caixas rústicas ou modelos retangulares sem partes móveis para destacar, requerem que o mel seja cortado, retirado e espremido sobre uma peneira, pois ainda não há um projeto de caixa adequado na região.
Em enxames estabelecidos e em floradas fartas, dá para fazer mais de uma colheita por ano, respeitando sempre as reservas para que os enxames não decaiam na entre safra.

Cera
A cera das abelhas nativas sem ferrão é composta por cera bruta fabricada pelas operarias, que suam para extrair de seus corpos as placas virgens, moldadas e acrescidas de resinas vegetais, formando o cerume, que é a base para as lemelas que formam o invólucro do ninho, para os discos de cria e os potes de mel e pólen.
Tem pouco valor comercial mas para as abelhas é um produto muito caro, pois consomem muito mel pra poderem produzir a cera, estudos apontam para 10 kg de mel para cada kg de cera, logo temos de aproveitar esse recurso nobre e necessário para os enxames.
Antigamente havia larga aplicação para a cera das ASF, atualmente usamos par confecção de potes de alimento para estimular o crescimento dos enxames, bem como na divisão para ajudar na sua organização.

Produção de Exames
As universidades e muitas pessoas do campo e das cidades, tem procurado exames para pesquisas e criação. O preço do exame varia de região, espécie, caixa e do criador.
O ideal é seguir as normas do IBAMA, estar registrado e sempre tirar nota fiscal de produtos ou nota avulsa, assim se cumpre as normas fiscais.
A venda de enxames é salutar para o repovoamento da fauna nativa, bem como para evitar a consangüinidade de enxames isolados. Tem se tornado uma boa alternativa para capitalizar criadores preservacionistas, promover a inclusão social e agregar valor a propriedade e renda por ser um produto comercial ecológico e orgânico.

Aquecimento artificial
É o processo de prover calor aos enxames novos e fracos que ingressam nos períodos de frio deficientes, de maneira a se manter o ninho saudável a te que se recomponha ou receba material de reforço.
Enxames com poucas abelhas não conseguem gerar calor interno para se manterem vivos e preservarem a estrutura dos discos de cria, o que estressa e pode concorrer com o fim do mesmo.
Existem várias formas de promover temperatura ao enxame, internamente através de fios de níquel cádmio ligados a energia elétrica via termostato, ou externamente por lâmpadas dispostas dentro de caixas sob o enxame, ou placas de aquecimento montadas para apenas gerar calor necessário a manter um pouco aquecido o enxame, ou a placas mais potentes gerenciadas por dispositivos de controle automático de temperatura.
Os enxames com baixa população, apesar de terem rainha, precisam manter a cria aquecida, se esfriar o ninho as larvas e ovos morrerem a rainha cessa a postura e acaba virando zanganeira, especialmente em jataí, borá, tubuna, boca de renda e guaraipo.
Já a mandaçaia, mandurim, mirim guaçú, jandaira e uruçú, que são abelhas que hibernam, esse problema pode nãos ser tão grave; pois após a crise elas tem maior capacidade de destruir os discos afetados e refazer a postura recuperando o vigor.
Enxames médios que não carecem de promoção de calor, podem ser mantidos confortáveis se instalados em abrigos protegidos, ou receberem caixas de proteção com elementos térmicos, que podem ser desde placas de isopor, até serragem ou papel jornal amassado.

Aceiro proteção ventos
A maioria das ASF são sensíveis aos ventos, principalmente os laterais que cortam a frente ou entrada da caixa. No inverno os ventos gelados do sul Tb esfriam muito as caixas gerando consumo excesso de alimento (mel), e no verão ventanias podem derrubar as caixas no chão abrindo ou prejudicando o seu desenvolvimento devido ao choque. Logo, é importante em áreas descampadas plantar arvores ou bambus para proteger as caixas dos ventos, e também para promover sombra aos mesmos, pois ASF são animais de mata e não toleram insolação devido ao calor demasiado que gera no interior matando as crias e derretendo o mel.

Meliponicultura migratória
As floradas ocorrem de forma especifica em cada região, sendo que nem sempre onde está localizado o meliponário existem floradas o ano todo, o que certamente diminui a produção e pode afetar o processo de multiplicação, no entanto há possibilidade de deslocar as abelhas para locais de floradas abundantes, assim identificada a florada e os meses de ocorrência, tal fato deve ser registrado para o seu aproveitamento a cada ano, o que potencializa em muito a atividade.

Apetrechos de manejo
É a ferramentaria necessária para trabalhar com a meliponicultura. O tipo de material vai depender do manejo que o criador executa, quando em divisões ou extração em locais com poucos recursos é necessário levar, além das ferramentas para se trabalhar no local, caixas extra e garrafas PET com água, para beber e para lavar as mãos.
Um assessório básico é o sugador ou aspirador de abelhas, isso evita a perda ou o extravio de abelhas jovens que não voam. Potes ou embalagens para acondicionar o mel também são necessários.
Fita crepe ou argila são elementares para calafetação de frestas para evitar a ocorrência de apis, formigas e outros inimigos.
O recomendável é que seja montada uma caixa com a todas as ferramentas de manejo da meliponicultura, assim o criador se organiza antecipadamente para as necessidades que são constantes, especialmente em se tratando de meliponários distantes da casa.
Para ser meliponicultor, é necessário além ter de muita boa vontade, estar equipado com os acessórios de manejo para suplantar as demandas inerentes a atividade.

Preparação de produtos

Tintura ou extrato
Existem vários métodos de se extrair o extrato de própolis e fazer tintura.
Um dos mais simples, é o que se faz com álcool neutro ou de cereais, se for para iscas, esterilização ou pintura de caixas, pode ser usado álcool comum.
A dosagem se faz por volume, uma parte e três partes de álcool. Misturar, deixar descansar por trinta dias aproximadamente, mas pode ser usado antes.
Pode ser feito também com água-ardente que é a nossa popular cachaça.
Indicado para uso interno em gripes e resfriados, para estimular o sistema de defesa do organismo.
Externamente tem várias aplicações, entre elas feridas resistentes e queimaduras que custam a É cicatrizar.
Para algumas pessoas é muito forte e não é aconselhável ingerir puro. O ideal é tomar o extrato é diluir na água, na proporção de uma colher de sopa para num copo de água.

Pomada
A pomada pode ser feita com cera de abelha, sebo, parafina que vai ser a base da pomada. Devemos colocar a base para desmanchar no forno. Com a base morna, então vamos colando o extrato até ele parar de desaparecer (saturar) na base. A vida útil é de dois anos.

Propomel
É a mistura do mel com a própolis. Podemos colocar uma colher de sopa de própolis para cada 500ml de mel.

Fonte Livro Abena
Washigton
 
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